Descobrir-se portador de uma doença, normalmente, traz grande impacto emocional tanto para o paciente quanto para aqueles que o cercam. Diante de uma situação difícil como esta, podemos nos deparar com uma série de sentimentos, como a percepção de nossa fragilidade, a possibilidade da própria finitude, a sensação de impotência, o medo do sofrimento, a angústia diante do novo (tratamento, ambiente, cuidadores), etc. Quando falamos em câncer, podemos somar ainda o estigma social que esta doença traz consigo. Por tudo isso, é necessário que possamos compreender que cada um reage à notícia de uma forma e que é preciso estar atento.
É comum, que num primeiro momento, o paciente se utilize de alguns mecanismos para se defender do “susto”. A negação (“Não pode ser comigo”) vem em primeiro lugar e muitas vezes pode chegar a um isolamento social e/ou familiar; Se é difícil aceitar a nova situação imagine, então, conversar sobre ela com alguém? A revolta também pode aparecer, principalmente quando o paciente começa a se perguntar por que aquilo está acontecendo com ele. A falta de resposta pode gerar reações de raiva de si mesmo, da vida, dos outros, do mundo. É quase uma sequência natural: frustração, agressão, depressão. Quando falamos em depressão, não necessariamente estamos falando de uma doença instalada e sim de uma fase passageira, com sintomas semelhantes, porém, de caráter reacional. Até que chegamos à aceitação, quando é possível perceber o enfrentamento diante de algo que é inevitável. Normalmente, é neste momento que o tratamento acontece de maneira mais tranquila, menos sofrida.
Uma coisa importante de se observar é que a esperança precisa estar permeando todos esses momentos, seja de forma explícita ou não. É ela que vai dar sustentação para que se possa ultrapassar todas essas fases, gerando a percepção sempre de que deve existir vida além da doença.
Embora sejam reações “esperadas”, fique sempre atento e não hesite em buscar ajuda, caso sinta necessidade. Pode ser mais fácil quando se compartilha.
Paula Cavalcanti – psicóloga do Hospital viValle


